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"Performance no exercício é consequência de bom planejamento e dedicação"

Fernando Guerreiro

13/06/2020 04h00

Hoje, vou falar de atividade física e de performance de uma maneira diferente que você está acostumado a ver aqui no blog. Eu bati um papo com Vitor Capial (@vitorcapial), que é profissional de educação física, treinador de atletas de crossfit e de fisiculturismo, além de ser multicampeão e faixa marrom de jiu-jítsu.

Na conversa, falamos sobre a história de vida e a carreira como profissional de educação física, além de táticas para manter o foco e a motivação na atividade física durante a pandemia –e também diante de qualquer barreira. Confira!

Reprodução do Instagram

De volta ao passado: como foi o início da sua carreira?

Vitor Capial: Acredito que todo início é complicado. Na área em que atuo não é diferente. Após a formação técnica, surgiram várias dúvidas de qual caminho seguir. Na minha opinião, a faculdade de educação física deveria exigir muito mais da vivência prática, para preparar o aluno de fato ao mercado profissional.

Sou do interior de São Paulo, após minha formatura, tinha que abraçar as oportunidades que surgiam e aprender sobre o mercado no dia a dia. No início, dava aulas presenciais em inúmeras academias no mesmo dia, era bem cansativo. Eu me recordo que minha primeira aluna teve um resultado incrível, perdendo 8 kg no primeiro mês de trabalho. Depois disso, a galera começou a se interessar mais pelo meu trabalho e, aos poucos, fui conseguindo mostrar os resultados nos meus alunos e buscando me especializar mais a cada dia com cursos, vídeos e leituras. Naquela época, não tínhamos tanta informação como hoje, então a busca por conhecimento era bem complicada.

Quais dificuldades você teve e como lidou com tudo isso pra chegar até aqui?

Sempre encarei as dificuldades como oportunidades de melhoria. No início, era muito difícil conciliar trabalho e faculdade. Por não ser tão bem remunerado como a maioria dos estagiários e recém-formados da área, tinha que trabalhar muito e não sobrava tempo para quase nada. Creio que tudo é fase. Precisamos plantar raízes sólidas para conseguir colher bons frutos futuramente, e isso se aplica no trabalho e em tudo na vida. Quanto mais você se dedica, mais você resultados você terá.

Uma fase difícil em minha vida  foi quando cheguei em São Paulo. Foi complicado me adaptar à rotina e loucura da cidade. Como trabalhava em diversas academias, de diferentes bairros, e dependia do transporte público, passava seis horas por dia no metrô e ônibus. Um dia, pensando em todo o tempo que ficava no transporte público, eu me questionei: "E se eu usasse todo esse tempo que perco no transporte para me dedicar melhor em algo?". Foi assim que decidi trabalhar em somente uma dessas academias e morar mais perto do meu local de trabalho. A partir disso, minha rotina e meu rendimento profissional passaram a melhorar muito.

Você tem um histórico de atleta. Apesar de jovem, no decorrer dos anos se consolidou como treinador. Em qual momento tomou a decisão de mudar de uma carreira para outra?

Eu até brincava que eu não era atleta, pois acho que a palavra atleta tem um significado muito forte. Naquela época, eu não me dedicava como um atleta realmente deveria se dedicar. Eu sempre gostei de me desafiar e no jiu-jítsu não era diferente.

Na minha equipe "Oll Fight Carlson Gracie", do meu mestre Alexandre Oliveira, era natural você começar a competir desde que entrasse ali. Os treinos já eram uma espécie de competição (risos), mas nunca me vi como um atleta que realmente tinha potencial para ser de ponta, apesar de gostar de estar por dentro de tudo, de ter interesse na preparação de um atleta e de como você pode ajudar essa pessoa não somente a melhorar seu desempenho, mas também fazer a diferença na vida dela.

Creio que com meu amigo e atleta Rafa Brandão eu me encontrei como treinador, que precisa não é somente passar treinos, mas também entender, conhecer e gerar confiança em seu atleta, a ponto de fazer com que ele acredite 100% em seu próprio potencial para dar o seu melhor. Na minha opinião, quando o Rafa levanta um troféu, não é somente ele ali, é todo um trabalho que envolve várias pessoas. Fazer parte disso é muito gratificante.

Como um educador físico pode conciliar a rotina de preparar atletas de esportes tão diferentes?

Tem uma certa diferença na hora de montar cada treino, principalmente com alguns atletas de ponta. Mas, em geral, não vejo dificuldade nenhuma, até porque uso a mesma linha de raciocínio na hora de elaborar o programa de treino para todos.

Treinos, alimentação e trabalho: como você concilia a rotina?

Não consigo viver sem rotina. Sempre quando acordo, faço meu café, ando com meu cachorro, preparo minhas refeições conforme meu horário de treino e tiro um tempo para trabalhar online também. Acho que ter uma rotina e gostar dela é o segredo para você ter a constância e satisfação nos treinos, na dieta e no descanso, que são os pilares essenciais para desenvolver um bom físico.

Como foi para manter o foco nos treinos e na dieta durante a quarentena?

No começo foi bem difícil, pois passava o dia todo na academia. Estranhei muito o modo de trabalho online. Consegui manter os treinos em casa com alguns acessórios que tenho e tentei manter uma boa alimentação. Hoje, estou conseguindo treinar em um espaço particular de um amigo, com todos os cuidados necessários, e posso dizer que consegui me adaptar ao trabalho online. Estou lidando melhor com essa rotina nova.

Quais mudanças aconteceram inevitavelmente e quais as adaptações você permitiu que acontecessem?

Acho que a maturidade. É inevitável que ela venha e isso é bom. Acho que quando você já trabalha a um certo tempo na área, adquire habilidades que só com consegue com a vivência. Saber lidar com essa evolução é essencial para o crescimento profissional.

Para você, a performance é uma consequência de quais situações?

A performance vem de um planejamento bem elaborado e muita dedicação.

Saúde, estética e qualidade de vida. Quais dicas você deixa para quem tem dificuldade em obter resultados?

A dica que que dou é que a pessoa precisa encontrar uma rotina que dê prazer, tanto de treinos quanto de alimentação. Se você não sentir prazer no que faz, não fará por muito tempo. Sendo assim, procure bons profissionais para receber orientação. Isso pode ser o ponto-chave para planejar algo que realmente você vai gostar de fazer, e que fará por muito mais tempo. No começo, pode ser mais difícil, mas eu mesmo, hoje em dia, não consigo viver sem.

Sobre o autor

Fernando Guerreiro é formado em Educação Física, especializado em treinamento funcional e ultramaratonista. Também é head coach da We Move Brasil, equipe especializada em desenvolver um estilo de vida saudável e transformador.

Sobre o Blog

Dicas e mensagens motivacionais para os homens que desejam melhorar a cada dia seu estilo de vida através da atividade física. Um espaço para tirar dúvidas e também para encontrar a motivação que o levará a quebrar barreiras físicas e mentais.

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